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Miragem

Troco olhares frente ao espelho. Do outro lado, nego a imagem posta. Na minha miragem particular encontro você minha retina se fecha para ter nítida esta imagem refletida diretamente do estômago pois é ali que você me dói,(me alcança). Troco ali não só olhares, meus diálogos se propagam pelo quarto em alto e bom som, discursos,parábolas,promessas certeza de que suas mãos me alcançam, toca meu sexo,coxas,garganta. Meu tempo é de futuro e você presente! Quer minha sede agora agoniza com minha ausência me toca insistente me quer presente Eu sou apenas ausência! II -Ausência invertida Tenho na memória de mim um tempo que não foi, no espelho se materializa não o fato mas a ausência dele, lá onde vemos o que nunca aconteceu. Miragem. III -Saindo deste labirinto de imagens portal onde adentrei minhas inconstâncias, o corpo ainda arde sua ausência Ondas de calor percorre-me o colo toca vibrante o assento onde repouso agora. Arde em mim o tempo do não vivido, do não...
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O amor e seu avesso

Seus sons ........................... A vida e seu avesso seus tons ( cores) nus nuances .......................... O tempo e seu avesso violado corpo insano pensamento impuro ........................... As horas e seu avesso profana minha alma dança agora ............................ O desejo e seu avesso umbigo saliva cravando seu sangue no meu suor ........................... O amor e seu avesso teu corpo Ter seu avesso Ser?

Cidade

Tempo gélido cinza cortante, gotículas minúsculas amortecendo os ossos. O ar quente do peito faz fumaça entre dentes tortos, a boca enrugada. A cara, a vida enrugada. Fria como esta tarde. Solidão, Falta amor, Falta fúria, falta querer cortar a cara do tempo, aquecer o frio das mãos na cara do tempo. Vida cara. Vida fria. o tempo!

Filme?

Os olhos espreitam olhar de soslaio? os meus,recolhem-se olhos que se tocam? Meus olhos não sorriem antes desmaiam adormece na tela o filme sou eu? Na outra dimensão do mundo o filme me diz de você? de nós? No silêncio na sala escura escuto teu peito bate por mim? Minha respiração rarefeita no beijo a tela me redesenha Há vida? A vida de quem?

A praia

Ah,ra,ra,ra,ra... lambe meus pés as ondas, as pedras e areia toda se ri se ri de rolar, pedra e areia as ondas a lhe beijar. Beija a terra santa, santa pedra,areia e pés se ri de rolar pedra e areia sob os pés, espumas a beijar Lambe a onda o vento nos pés roxos de rir ri de rolar pedra e areia sob os pés a beijar Beija e assopra assopra e beija nos pés a rolar rola a areia rola o mar.

A morte

Penso está o tempo suspenso em agonia Aflora cor anil. A mão solta ao léu ri de si mesma, ensimesmado está á mesa posta em ondas vão e vem em vão retornando o tempo a pó!